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Algumas Características do Líder Cristão ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DO LÍDER CRISTÃO INTRODUÇÃO
Ouvi de um líder cristão muito respeitado a seguinte expressão: "A pior coisa que pode haver, é ser subalterno de quem não presta". Isto me fez pensar no sermão proferido por Jesus e que está registrado em Mateus 5 a 7, também conhecido como a ética do cristão. Lá o Senhor Jesus traça o perfil do cristão e afirma categoricamente que nós somos a luz do mundo e o sal da terra. Interessante como quase dois mil anos depois, nos esquecemos do padrão de líder traçado pelo Senhor Jesus, e estabelecemos como padrão de lideres para a igreja, empresários ou executivos bem sucedidos nos negócios. Será que a Bíblia, a Palavra de Deus, não tem exemplos suficientes que possamos estabelecer como padrão a ser seguido? Será que o padrão de líderes segundo o coração de Deus mudou tanto desde o início da igreja neotestamentária? Quero traçar em poucas palavras o que penso a respeito do líder que verdadeiramente agrada a Deus, e como a liderança atual da igreja está longe do ideal de Deus. I – CAPACIDADE DE VIVER A VONTADE DE DEUS É fundamental que o verdadeiro líder conheça e viva a vontade de Deus. É importante que ele tenha em mente que só está no lugar que está, porque Deus o colocou lá. Tem que saber que sem Deus, sua posição é vulnerável e insignificante. Por mais que ele realize, sempre vai ser com a ajuda de Deus. O grande exemplo do líder que sabe viver a vontade de Deus, nos é dado por José. Vejam o que ele diz aos seus irmãos: "Disse José a seus irmãos: Agora, chegai-vos a mim. E chegaram-se. Então, disse: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem colheita. Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito." (Gn 45:4 a 7). O líder verdadeiramente comprometido com a agenda de Deus desenvolve a capacidade de viver a vontade de Deus. Ele não manipula, não briga, não procura se impor e nem tampouco exige submissão dos seus liderados. Ele é respeitado simplesmente pelo seu exemplo silencioso de submissão à vontade de Deus. Ele orienta sua vida pela perspectiva de Deus. II – CAPACIDADE DE COMPREENDER A SOBERANIA DE DEUS Pior que ser subalterno de quem não presta, é ser liderado por quem perdeu a visão da soberania de Deus e se julga indispensável no serviço do Reino. Quem pensa assim age com crueldade, persegue, demite, mente e manipula. O Rev. Charles Swindoll fala deste tipo de liderança "Estou eu no lugar de Deus?", perguntou-lhes José. Se ele fosse um homem menor, poderia ter desempenhado o papel de "rei da montanha" e usurpado o lugar de Deus. "Os assassinos da graça" fazem esse tipo de coisa. Eles exploram o poder que possuem sobre outros. Jogam um jogo carnal quando encurralam alguém, alguém vulnerável, que está à sua mercê."[1] (grifos meus). Parece comum o fato de alguns líderes perderem a visão da Soberania de Deus quando assumem papéis mais importantes dentro da sua denominação. "O que será que leva alguns a nos tornarmos pequenos "imperadores" quando chegamos ao "trono" da liderança? Antes de mais nada, o que nos faz dar tanto valor a tronos? Assim que assumimos um cargo de liderança, com surpreendente rapidez nos esquecemos de que a autoridade vem somente de Deus. Esquecemos que não somos os donos do nosso cargo, e que nunca o seremos; que Deus pode destituir-nos no momento em que julgar necessário. Por que é tão difícil os líderes reconhecerem seus erros e deixarem que a situação lhes ensine mais uma vez o que de fato significa arrepender-se? A transparência nos parece tão assustadora! Parece que temos a impressão de que, de alguma forma, as regras são diferentes para nós."[2] É extremamente arriscado quando o líder perde a visão de que Deus é soberano. A história está aí para comprovar este fato. Muitos líderes têm caído por se julgarem donos da situação e manipularem decisões de acordo com sua agenda pessoal, esquecendo-se da agenda maior de Deus para sua vida e sua denominação. III – CAPACIDADE DE VIVER COM INTEGRIDADE A capacidade de manter-se íntegro é o mínimo que Deus espera do líder. Integridade significa ter pureza ética, moral e espiritual. Não burlar as leis, não dar jeitinho para que seus projetos pessoais sejam realizados. Não mudar a regra do jogo em benefício próprio. Não subverter o direito do outro, ser verdadeiro. O Dr. Russell Shedd fala com muita propriedade sobre isto: "O líder que mente, que exagera ou que esconde a verdade não tem direito algum de controlar a vida de outros. O homem que mantém-se fiel à verdade em todas as circunstâncias faz com que seja fácil para alguém confiar nele. Em todos os relacionamentos humanos, a mentira, a decepção, as promessas falsas e os contratos não cumpridos, promovem, todos, à desconfiança. E a desconfiança, no topo da organização, é como uma rachadura em uma parede ou uma fenda em uma represa." [3] Parece que o espírito da pós-modernidade tem influenciado a liderança eclesiástica de tal forma, que não se vê muita diferença entre um líder cristão e um líder político secular. Gene Edward traça um perfil desse tipo de liderança pós-moderna: "A única outra alternativa é jogar os mesmos jogos do resto da sociedade. Aqueles que acreditam que todos os relacionamentos sociais são máscaras para o poder poderão se tornar eficientíssimos exercitadores do poder. Desabusados dos ideais tradicionais que limitam o poder – tais como crença na verdade, integridade individual e moralidade objetiva – os pós-modernistas poderão adotar um jogo de política de tipo implacável. Os políticos pós-modernistas, dado seus pressupostos filosóficos, poderão alterar irresponsavelmente a verdade (visto que não existe a verdade); alterar o que dizem de acordo com o público (visto que cada grupo tem sua própria realidade) e fazer todo o possível para promover a agenda de seu grupo e esmagar a de seus adversários (visto que não existem ideais além de um pragmatismo maquiavélico a não ser o do poder)". [4] Lamentavelmente este tipo de comportamento ameaça todos os concílios de nossa igreja. Líderes comprometidos única e exclusivamente com seus projetos pessoais, com o desejo de escrever seu nome na história custe o que custar. O rev. Arival Dias Cassimiro escreve: "O momento histórico da igreja é de apatia. Grande parte da nossa liderança "oficial" está comprometida com empregos e cargos (fisiologismo). Muitos só votam e decidem pensando nos seus próprios interesses. Não se reúnem mais em torno de idéias, mas de interesses." [5] Isto se chama, em outras palavras, crise de integridade. Nossa liderança está vivendo a crise da pós-modernidade, e é preciso reverter urgentemente este processo. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, quero crer que o padrão de Deus não é o de uma liderança bem sucedida na esfera secular. Deus não está a procura de executivos ou empresários que possam trazer sua experiência na esfera dos negócios (mesmo porque igreja não é negócio) para enriquecer a administração ou o planejamento estratégico da igreja, como fazem as empresas que dependem do marketing ou da estratégia para sobreviver. Deus está a procura de líderes, homens e mulheres, que tenham compromisso com a vontade e a soberania de Deus e, também, com uma vida íntegra e reta. Resumindo: Deus está a procura de líderes que desejem orientar a sua vida pela perspectiva de Deus. Que Deus tenham misericórdia da sua igreja e da sua liderança. Rev. Geraldo Silveira Filho Pastor da Capela Presbiteriana de Anápolis e Relator da CSM/IPB - Comissão de Organização, Sistemas e Métodos da Igreja Presbiteriana do Brasil. 1. Swindoll, Charles R. – José – Um homem Íntegro e Indulgente, pg. 260, Editora Mundo Cristão, 2000 2. Strong, Jouce – Líderes à beira do abismo, pgs 37 e 38, Editora Betânia, 1999 3. Shedd, Russell P. – O líder que Deus usa, pg. 89, Editora Vida Nova, 2000 4. Veith Jr, Gene Edward – Tempos pós-modernos, pg 77, Editora Cultura Cristã, 2000 5. Cassimiro, Arival Dias – Jornal O Mediador, ano 1, nº 02, pg 3, abril/2000 |
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