PÁSCOA
"Jesus Cristo, tua luta é nossa vitória, tua morte é nossa vida. Em tuas algemas nasce nossa liberdade. Tua cruz é nosso consolo, tuas feridas são nossa salvação, teu sangue é nosso resgate, a herança dos pobres pecadores." Adam Thibesius, 1596 - 1652
A celebração da páscoa vem perdendo o seu lugar no calendário litúrgico. Não celebramos mais a páscoa como fazíamos no passado. Parece que hoje damos mais importância a comemorações como dia das mães, dia dos pais e dia das crianças do que a comemoração da Páscoa. Lamentavelmente a Cruz de Cristo está perdendo seu lugar em nossa teologia. Na sociedade pós-moderna o pragmatismo e o pluralismo influenciam de tal forma nossas vidas, que, uma teologia triunfalista e hedonista vem substituindo os valores mais importantes da teologia cristã reformada. A Páscoa faz parte do calendário de festas judaicas. Ela foi instituída por Deus quando o povo ainda estava no Egito. Foi a última atividade do povo na noite da libertação de Israel do cativeiro. Deus mesmo deu instruções quanto ao procedimento na Páscoa e, tanto Moisés quanto os anciãos sabiam o que deveria ser feito e dito a respeito da mesma: "Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do SENHOR. Chamou, pois, Moisés todos os anciãos de Israel e lhes disse: Escolhei, e tomai cordeiros segundo as vossas famílias, e imolai a Páscoa. Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao SENHOR... quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou" (Êxodo 12:11, 21 27). A Celebração da Páscoa foi também o primeiro acontecimento após a entrada na terra prometida: "Estando, pois, os filhos de Israel acampados em Gilgal, celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, nas campinas de Jericó." (Josué 5:10). Para nós cristãos a páscoa também tem um sentido muito especial, pois foi durante ela que Jesus foi preso, julgado e crucificado pelos nossos pecados. É costume dizer que durante a última celebração da Páscoa entre Jesus e seus discípulos, houve uma transição natural entre as duas celebrações, ou seja, Jesus não só a comeu, mas identificou o seu sacrifício com a imolação do cordeiro pascal. Ele fez uma transposição natural da Páscoa Judaica para a Santa Ceia cristã. Páscoa para nós é muito mais do que celebração da libertação de qualquer cativeiro. Páscoa é a vitória, a libertação do poder do pecado sobre nossas vidas. Falar de Páscoa é falar de Cruz, é lembrar o Cristo crucificado. Como diz o rev. Ricardo Barbosa: "Cristo crucificado é tudo o que precisamos. Paulo optou por uma mensagem, ignorou as exigências de gregos e judeus. Ele sabia que Cristo, sua morte e ressurreição, é o que a alma humana necessita, nada mais. Tudo o mais deve sujeitar-se à cruz, render-se ao seu poder e glória, aceitar sua primazia na redenção." Falar de Páscoa e de cruz sem falar de ressurreição é omitir parte da história da redenção. A mensagem da Páscoa cristã tem o seu foco principal na ressurreição do nosso Mestre e Senhor. É na ressurreição que temos a certeza da concretização de todas as promessas e de todos os projetos que Jesus tinha em mente para a sua igreja. A ressurreição nos lembra que a morte já não tem mais domínio sobre nós. A ressurreição também nos lembra que estaremos para sempre com o Senhor Jesus, pois quando o mesmo ressurgiu de entre os mortos, Ele subiu para preparar o nosso lugar na casa do Pai. Ressurreição é vida, ressurreição é esperança, ressurreição é certeza de vida nova, vida eterna. Celebremos a Páscoa com os nossos olhos fitos na Cruz de Cristo, pois foi na Cruz que Ele nos libertou. Cristo, nossa Páscoa, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo deve ser lembrado por todos os que verdadeiramente professam sua fé nEle, e querem viver uma vida digna do Seu evangelho.
Rev. Geraldo Silveira Filho Pastor da Capela Presbiteriana de Anápolis - GO |
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